Na
letra original, João Cândido era o Almirante Negro, que guiava poderosos navios
de guerra com a dignidade de um mestre-sala. Mas o Brasil vivia a intolerância
da ditadura militar, sob o comando do presidente Ernesto Geisel, e a música de
Aldir Blanc e João Bosco parou na mesa dos censores. Blanc relatou, em uma
entrevista, que foram várias as idas ao departamento de Censura para liberar o
samba. Naquele tempo, era praticamente inadmissível que uma canção homenageasse
um marinheiro negro que havia se revoltado contra o governo, quebrado a
hierarquia e participado de uma revolta em que morreram oficiais da Marinha.
Num
dos últimos encontros com os censores para tentar aprovar a letra, sem saber
qual era o problema, Adir Blanc questionou o motivo de o samba continuar sendo
censurado, já que haviam trocado palavras como almirante, marinheiro etc.
Também tinham mudado o título de Almirante Negro para Navegante Negro, para não
ofender a oficialidade da Marinha. A resposta apresentou Blanc ao preconceito
racial que ainda imperava no governo brasileiro. Ele diz ter ouvido,
estarrecido, que o problema era a palavra negro, dita várias vezes, inclusive
no título original, Almirante Negro. Com a “dica” do censor, os compositores
deram uma sacudida no texto e chegaram ao título O Mestre-Sala dos Mares. Veja
a seguir a letra original e a letra censurada.


Comentários
Postar um comentário